Planejamento e custos

Dados da reprodução assistida no Brasil

O Brasil fez 62.997 ciclos de FIV e 18.631 ciclos de congelamento de óvulos em 2025, em 192 centros concentrados no Sul e no Sudeste. Este guia da Nidavitae mostra o que os dados do SisEmbrio e da OMS dizem sobre o tratamento no país, como ler o relatório e o que os números não contam.

Documentos, calculadora e materiais de organização sobre uma mesa (imagem ilustrativa).
Mapa do Brasil com marcadores sobre as regiões, ao lado de um relatório impresso com gráficos

Resposta rápida

Os dados da reprodução assistida no Brasil vêm do SisEmbrio, sistema da Anvisa que recebe os números anuais dos centros licenciados. Em 2025, o país fez 62.997 ciclos de FIV e 18.631 ciclos de congelamento de óvulos, em 192 centros, dos quais 77,6% ficam no Sul e no Sudeste. O congelamento de óvulos mais que dobrou desde 2020. Segundo a OMS, cerca de uma em cada seis pessoas terá infertilidade ao longo da vida. Os números mostram o cenário; a sua chance depende da idade e dos exames.

Quantos ciclos de FIV o Brasil faz por ano

O Brasil realizou 62.997 ciclos de fertilização in vitro em 2025, segundo o relatório do SisEmbrio. É o maior número da série, e ele conta ciclos iniciados, não pacientes: uma mulher que fez dois ciclos no ano aparece duas vezes. No mesmo período, os centros registraram 18.631 ciclos de congelamento de óvulos, procedimento que era uma fração disso cinco anos antes.

62.997
Ciclos de FIV no Brasil em 2025Fonte: SisEmbrio, relatório anual dos centros de reprodução assistida.
18.631
Ciclos de congelamento de óvulos em 2025Fonte: SisEmbrio. Eram 7.872 em 2020.

Esses dois números são a base de qualquer conversa sobre reprodução assistida no país. Eles mostram um mercado grande, em crescimento e ainda distante de cobrir a demanda estimada pela OMS. O resto do guia detalha onde esses ciclos acontecem, o que está mudando e como você deve ler cada dado antes de tomar uma decisão.

Ciclo, no relatório, é uma estimulação ovariana com coleta de óvulos. Não é gravidez nem bebê: o SisEmbrio conta produção, e toda leitura correta dos números começa por essa distinção.

Os 192 centros e a concentração no Sul e no Sudeste

O SisEmbrio registra 192 centros de reprodução assistida no Brasil, e 77,6% deles estão no Sul e no Sudeste. Na prática, três em cada quatro laboratórios de embriologia do país ficam em cinco estados e no Distrito Federal, enquanto boa parte do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste tem um ou dois centros por estado, ou nenhum.

Essa concentração explica um comportamento comum entre pacientes: viajar para tratar. Quem mora em capital sem centro, ou em cidade do interior, faz a consulta e a estimulação com apoio de um médico parceiro local e viaja para a coleta e a transferência. A página onde fazer fertilização in vitro mostra a distribuição dos centros por estado e o que muda na logística para quem precisa se deslocar.

A concentração também afeta o custo: viagens, hospedagem e dias de afastamento do trabalho entram no orçamento de quem mora longe, mesmo com o preço da FIV igual. O guia por que o preço da FIV varia tanto mostra como a localização entra nessa conta.

Congelamento de óvulos: o procedimento que mais cresce

O congelamento de óvulos é o dado que mais mudou na série do SisEmbrio. Os ciclos passaram de 7.872 em 2020 para 18.631 em 2025, um crescimento de 136,7% em cinco anos. Entre mulheres com menos de 35 anos, a faixa em que o congelamento rende mais, o salto foi de 2.193 para 6.142 ciclos, ou 180,1%.

Ciclos de congelamento de óvulos no Brasil, 2020 e 2025, total e entre mulheres com menos de 35 anos (fonte: SisEmbrio)
Indicador20202025Variação
Ciclos de congelamento de óvulos, total7.87218.631+136,7%
Ciclos entre mulheres com menos de 35 anos2.1936.142+180,1%
Participação das menores de 35 no total27,9%33,0%+5,1 pontos
Ciclos de FIV no mesmo anoNão comparado62.997Base da série

A participação das menores de 35 anos foi calculada pela Nidavitae a partir dos totais do SisEmbrio. O que ela mostra é uma mudança de comportamento: a decisão de preservar a fertilidade está sendo tomada mais cedo, na faixa em que o plano costuma exigir menos ciclos. O hub congelamento de óvulos explica como funciona e para quem faz sentido.

Quer saber o que esses números significam para o seu caso?Um especialista parceiro da Nidavitae avalia a sua situação, com custo e parcelamento antes da consulta.

Falar com um especialista em reprodução assistida

Uma em cada seis pessoas: o tamanho do problema segundo a OMS

A Organização Mundial da Saúde estimou, em relatório de 2023, que cerca de uma em cada seis pessoas no mundo terá infertilidade em algum momento da vida. A estimativa vale para todas as regiões e faixas de renda, com pouca diferença entre países ricos e pobres. A infertilidade é uma condição comum, que atinge homens e mulheres, e não uma falha de quem "deixou para depois".

Colocado ao lado dos 62.997 ciclos de FIV do Brasil, o dado da OMS mostra a distância entre a demanda e o tratamento. Um país do tamanho do Brasil, com uma em cada seis pessoas passando por infertilidade em algum momento da vida, faz menos de 63 mil ciclos por ano. A maior parte de quem precisa não chega ao tratamento, por custo, por distância ou por não saber que precisa.

Para a paciente, a leitura prática é uma só: dificuldade para engravidar é comum, e buscar avaliação cedo é a regra. Até 34 anos, depois de 12 meses tentando; de 35 a 39, depois de seis meses; a partir de 40, agora. O hub tratamentos para engravidar mostra o caminho a partir de cada situação.

Como ler o relatório do SisEmbrio

O relatório do SisEmbrio é público e sai todo ano, mas foi escrito para gestores e laboratórios, não para pacientes. Cinco cuidados de leitura evitam as interpretações erradas mais comuns.

  1. Ciclos não são pacientes

    Uma mulher que fez dois ciclos aparece duas vezes. O número de pessoas tratadas é menor do que o número de ciclos.

    Vale para FIV e para congelamento
  2. Ciclos não são gestações

    O relatório mede produção: estimulações, coletas, embriões congelados e transferidos. Não mede nascido vivo por centro.

    Taxa de sucesso não está no relatório
  3. Os totais são por região

    O relatório agrega por região e por ano. Não há ranking de clínica nem dado por unidade.

    Comparação entre clínicas não é possível por ele
  4. Faixas de idade mudam a leitura

    Quando o relatório separa por idade, a faixa abaixo de 35 anos é a que mais cresce no congelamento. Sem essa separação, o total esconde a tendência.

    Sempre procure a tabela por idade
  5. O ano do dado é o ano do ciclo

    Os números de um ano são publicados no ano seguinte. Sempre cite o ano do ciclo, não o da publicação.

    Dados de 2025 são os mais recentes desta série

Lido com esses cuidados, o relatório responde a três perguntas úteis: quanto o país faz, onde faz e o que está crescendo. Ele não responde a nenhuma pergunta sobre a sua chance individual nem sobre qual clínica escolher.

O que os números não dizem

Os dados nacionais têm um limite claro: eles descrevem o sistema, não a paciente. O exemplo abaixo mostra como a leitura errada dos números leva a decisões erradas.

Exemplo ilustrativo. Patrícia, 41 anos, leu que o Brasil fez quase 63 mil ciclos de FIV em um ano e que o congelamento de óvulos mais que dobrou. Concluiu que o tratamento estava acessível e comum, e que dava para esperar mais um ano. Na consulta, o especialista mostrou que os números nacionais não diziam nada sobre a reserva ovariana dela, que estava baixa, e que na idade dela cada mês de espera reduzia a chance. O dado que importava era o hormônio antimülleriano que ela ainda não tinha dosado.

Os números do SisEmbrio não dizem qual é a taxa de nascido vivo de nenhum centro, não separam o resultado por causa da infertilidade e não informam quanto custa um ciclo. Para esses três pontos, os guias taxa de sucesso de clínica: como ler e como ler um orçamento de FIV fazem o trabalho que o relatório não faz.

Os dados do SisEmbrio me dizem o que o país faz; o exame da paciente me diz o que ela precisa. Nenhum número nacional substitui um hormônio antimülleriano e um ultrassom feitos este mês.

Dra. Mariana Costa Albuquerque, ginecologista e especialista em reprodução humana, CRM-SP 154.322, RQE 61.870, revisora médica da Nidavitae

O que os guias não contam sobre os dados nacionais

Quatro pontos que raramente aparecem nos textos que citam os números da reprodução assistida no Brasil e que mudam a forma de usá-los.

O dado é declarado pelos próprios centros
O SisEmbrio recebe o que cada centro envia. A Anvisa consolida e publica, mas o número depende da qualidade do envio. Centro que não envia não aparece na conta.
Embrião congelado não é bebê a caminho
O relatório conta embriões congelados e transferidos. Boa parte dos embriões congelados nunca será usada, por gravidez anterior, desistência ou separação do casal.
A concentração regional esconde o interior
Mesmo no Sudeste, os centros estão nas capitais e em poucas cidades grandes. Morar no estado certo não significa ter centro perto de casa.
O crescimento do congelamento tem dois motores
Parte vem de mulheres que preservam a fertilidade por escolha; parte vem de pacientes oncológicas e de ciclos de FIV que congelam óvulos por motivo médico. O relatório não separa os dois.

Quem entende esses quatro pontos usa os dados nacionais para entender o cenário e deixa a decisão sobre o próprio tratamento para o exame e a consulta.

Os erros mais comuns ao usar os dados nacionais

Os erros de interpretação dos dados de reprodução assistida se repetem em reportagens, em sites de clínica e em conversas de consultório. Quatro são os mais frequentes.

  • Confundir ciclos com bebês nascidos62.997 é o número de estimulações iniciadas, não de crianças. O relatório não mede nascido vivo.
  • Usar o relatório para escolher clínicaNão há dado por clínica. Quem diz "somos os primeiros do SisEmbrio" está citando algo que o relatório não publica.
  • Achar que o crescimento significa acessoO número cresce, mas continua muito abaixo da demanda estimada pela OMS. A maior parte de quem precisa não chega ao tratamento.
  • Esperar porque "muita gente faz"O dado nacional não muda a sua reserva ovariana. A idade no dia da coleta é o que decide, e ela não espera o relatório.

Evitar esses erros depende de uma regra só: dado nacional serve para entender o país, e exame individual serve para decidir o tratamento.

Checklist: como usar os dados na sua decisão

Se você chegou até aqui, sabe quanto o Brasil faz, onde faz e o que cresce. Estes cinco passos transformam esse cenário em uma decisão sobre o seu caso.

  1. Veja se o seu estado tem centro na página onde fazer fertilização in vitro e planeje a logística se precisar viajar.
  2. Verifique a sua urgência pela idade: 12 meses tentando até 34 anos, seis meses de 35 a 39, agora a partir de 40.
  3. Faça o hormônio antimülleriano e o ultrassom antes de qualquer decisão baseada em dado nacional.
  4. Peça a taxa de sucesso por faixa de idade à clínica, porque o relatório não a fornece.
  5. Peça o orçamento por escrito, item por item, porque o relatório também não fala de custo.

A triagem gratuita da Nidavitae faz os passos um, quatro e cinco andarem juntos: você informa idade, cidade e situação, e recebe a indicação de um especialista parceiro que atende ao seu perfil, com estimativa de custo e parcelamento antes da consulta.

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Camila Ferraz, editora de saúde da Nidavitae

Jornalista especializada em saúde, com passagem por redações de ciência e por hospitais de referência. Coordena a produção dos guias da Nidavitae e a checagem das fontes citadas em cada texto. Este guia foi revisado por Dra. Mariana Costa Albuquerque, ginecologista e especialista em reprodução humana (CRM-SP 154.322, RQE 61.870). Conheça a equipe e o método editorial.

Perguntas frequentes sobre os dados da reprodução assistida

Quantos ciclos de FIV são feitos no Brasil por ano?

O Brasil realizou 62.997 ciclos de fertilização in vitro em 2025, segundo o SisEmbrio, o sistema da Anvisa que recebe os dados anuais dos centros de reprodução assistida. No mesmo ano, foram 18.631 ciclos de congelamento de óvulos. Os números contam ciclos, não pacientes: uma mesma mulher pode aparecer mais de uma vez se fez mais de um ciclo.

Quantas clínicas de reprodução assistida existem no Brasil?

O SisEmbrio registra 192 centros de reprodução assistida no Brasil, e 77,6% deles ficam nas regiões Sul e Sudeste. Isso significa que a maior parte dos estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste tem poucos centros ou nenhum, e muitas pacientes precisam viajar para tratar. A página da Nidavitae sobre onde fazer FIV mostra a distribuição por estado.

O congelamento de óvulos está crescendo no Brasil?

Sim, e é o procedimento que mais cresce. Os ciclos de congelamento de óvulos passaram de 7.872 em 2020 para 18.631 em 2025, segundo o SisEmbrio, mais do que o dobro em cinco anos. Entre mulheres com menos de 35 anos, o salto foi de 2.193 para 6.142 ciclos, o que mostra que a decisão de preservar a fertilidade está sendo tomada mais cedo.

Quantas pessoas têm infertilidade no mundo?

A Organização Mundial da Saúde estimou, em relatório de 2023, que cerca de uma em cada seis pessoas terá infertilidade em algum momento da vida. O dado vale para todas as regiões e faixas de renda, com pouca variação. Na prática, dificuldade para engravidar é comum, e buscar avaliação cedo é a atitude esperada.

O que é o SisEmbrio?

O SisEmbrio é o Sistema Nacional de Produção de Embriões, mantido pela Anvisa. Todo centro de reprodução assistida licenciado envia dados anuais: número de ciclos de FIV, de congelamento de óvulos, embriões congelados e transferidos, entre outros. A Anvisa publica um relatório com os totais agregados por região e por ano. Ele não publica taxa de sucesso por clínica nem dados de pacientes.

O SisEmbrio mostra a taxa de sucesso das clínicas?

Não. O relatório do SisEmbrio publica totais agregados: ciclos, embriões, centros, distribuição por região e por faixa de idade. Ele não mostra taxa de nascido vivo por clínica nem por estado. Qualquer taxa de sucesso que você vê em site de clínica foi calculada pela própria clínica. O guia da Nidavitae sobre taxa de sucesso explica como ler esses números.

Por que os centros estão concentrados no Sul e no Sudeste?

A concentração acompanha a renda, a população e a rede de hospitais e laboratórios das duas regiões. A FIV exige laboratório de embriologia, equipe especializada e volume de pacientes para se manter. Estados menos populosos ou de menor renda têm poucos centros ou nenhum. O efeito prático é que pacientes de várias capitais do Norte e do Nordeste viajam para tratar.

Os números do SisEmbrio incluem os centros públicos?

Sim. Os centros públicos e universitários licenciados também enviam dados ao SisEmbrio, e o relatório soma tudo em um único total nacional, sem separar de forma detalhada o que foi feito em serviço público e o que foi particular. Por isso os números mostram o volume do país, e não quantos ciclos cada tipo de serviço realizou. Para saber o que existe na sua região, a triagem gratuita indica o especialista parceiro mais próximo.

O que os dados não dizem sobre a minha chance?

Nada. Os dados do SisEmbrio contam ciclos e centros, não resultados individuais. A sua chance depende da sua idade, da reserva ovariana, da causa da infertilidade e da qualidade do laboratório que vai tratar você. Os números nacionais servem para entender o cenário: quanto o país faz, onde e o que está crescendo. A estimativa individual vem da consulta com o especialista, depois dos exames.

Como a Nidavitae usa esses dados?

A Nidavitae conecta você a especialistas parceiros em todo o Brasil e mostra o custo e o parcelamento antes da consulta. Os dados do SisEmbrio orientam onde há centros, onde falta e como organizar o tratamento para quem mora longe. Na triagem gratuita, você informa idade, cidade e situação, e recebe a indicação de um especialista que atende ao seu perfil, com a simulação de custo.

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Os próximos guias para quem quer sair do cenário nacional e chegar ao próprio orçamento: como ler o orçamento, por que o preço varia e como ler a taxa de sucesso.

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