
Perguntas para a primeira consulta de fertilidade
Lista por bloco, com o que a resposta boa precisa conter.
Montar a lista de perguntas da consultaUma taxa de sucesso sem métrica e sem faixa de idade não compara nada. Este guia da Nidavitae mostra o que cada número divulgado por uma clínica de FIV mede, como a seleção de pacientes infla o resultado e quais perguntas transformam propaganda em informação.

Resposta rápida
A taxa de sucesso divulgada por uma clínica só serve para comparação quando você sabe três coisas: o que foi contado como sucesso (teste positivo, gravidez clínica ou nascido vivo), o que entrou no denominador (ciclo iniciado, punção ou transferência) e a faixa de idade das pacientes. A métrica que responde à sua pergunta é a taxa acumulada de nascido vivo por estimulação, na sua idade. Clínicas que aceitam só casos fáceis mostram números maiores sem serem melhores.
A taxa de sucesso de uma clínica é uma fração: um resultado dividido por um grupo de pacientes. O número muda conforme a clínica escolhe o resultado e o grupo. "Setenta por cento de sucesso" pode significar sete testes positivos em dez transferências de pacientes jovens, ou pode não significar nada, porque a clínica não diz.
Na FIV, existem pelo menos quatro resultados possíveis para contar como sucesso e três denominadores possíveis. Combinados, eles produzem doze números diferentes para a mesma clínica, no mesmo ano, com as mesmas pacientes. A propaganda escolhe o maior. A paciente precisa saber pedir o que responde à pergunta dela.
A pergunta que você faz é uma só: se eu fizer um ciclo completo de FIV nesta clínica, com a minha idade, qual é a chance de sair com um bebê? A métrica que responde a isso chama-se taxa acumulada de nascido vivo por estimulação, e é justamente a menos divulgada. O resto deste guia explica por quê.
Um ciclo de FIV é um funil. Nem toda paciente que começa a estimulação chega à coleta, nem toda coleta gera embrião, nem todo embrião transferido implanta, nem toda gestação chega ao parto. Cada etapa do funil é um ponto onde a clínica pode começar ou parar de contar.
| Métrica | O que conta | O que fica de fora | Efeito no número |
|---|---|---|---|
| Por ciclo iniciado | Todas as pacientes que começaram a estimulação | Nada: é a métrica mais completa | Menor e mais honesto |
| Por punção | Pacientes que chegaram à coleta de óvulos | Ciclos cancelados por baixa resposta | Um pouco maior |
| Por transferência | Pacientes que tiveram embrião transferido | Cancelamentos, coletas sem óvulo, ciclos sem embrião viável | Bem maior: exclui os casos difíceis |
| Teste positivo (beta-hCG) | Qualquer resultado positivo no sangue | Gestações químicas que se perdem em dias | Maior de todas |
| Gravidez clínica | Saco gestacional ou batimento no ultrassom | Abortos após a confirmação | Intermediário |
| Nascido vivo | Bebê que nasceu | Nada: é o resultado que a paciente quer | Menor e o único que importa |
A combinação mais usada em propaganda é "gravidez por transferência": o resultado intermediário dividido pelo grupo mais selecionado. A combinação que responde à sua pergunta é "nascido vivo por ciclo iniciado". A distância entre as duas pode ser grande, e a clínica não é obrigada a mostrar a segunda.
A taxa acumulada soma todas as transferências que saem de uma única estimulação: a transferência a fresco e as transferências dos embriões congelados nos meses seguintes. Ela mede a chance de nascido vivo de um ciclo completo, que é o que você contrata e o que você paga.
Essa métrica importa porque a FIV moderna congela embriões com frequência. Uma paciente de 34 anos com quatro embriões pode ter uma transferência a fresco sem resultado e engravidar na segunda, de embrião congelado, sem nova estimulação. Na taxa por transferência, isso aparece como um fracasso e um sucesso. Na taxa acumulada, aparece como o que é: um ciclo que deu certo.
A taxa acumulada também mostra o que a propaganda esconde: a chance por tentativa é menor do que parece, e várias pacientes precisam de mais de uma transferência. Pergunte à clínica a taxa acumulada por estimulação, por faixa de idade, e quantas transferências em média foram necessárias. O hub tratamentos para engravidar explica cada etapa que entra nessa conta.
A idade da mulher no dia da coleta é a variável que mais pesa na chance de nascido vivo. A qualidade dos óvulos cai com o tempo, com mais alterações cromossômicas, e essas alterações reduzem a implantação e aumentam o aborto. Uma clínica com muitas pacientes de 30 anos mostra taxa maior do que uma clínica igual com muitas pacientes de 40, sem que nada mude na competência.
Por isso, taxa de sucesso sem faixa de idade não serve para comparar. A apresentação correta divide pelo menos em quatro grupos: até 34 anos, 35 a 37, 38 a 40 e acima de 40. Se a clínica mostra um número único, pergunte a distribuição de idade das pacientes que entraram no cálculo. Se não souber responder, o número foi feito para o site, não para você.
Os quase 63 mil ciclos do país se distribuem entre 192 centros com perfis muito diferentes de idade, diagnóstico e renda. Comparar a taxa de dois deles sem ajustar por idade é comparar duas populações de pacientes.
A forma mais rápida de aumentar a taxa de sucesso de uma clínica é escolher quem entra na estatística. Uma clínica que recusa pacientes acima de 40 anos, com baixa reserva ovariana ou com falhas anteriores mostra números maiores do que uma clínica que aceita todos os casos, mesmo que a segunda seja tecnicamente melhor.
Essa seleção acontece de várias maneiras, todas dentro da lei. A clínica pode encaminhar casos difíceis direto para ovodoação, que costuma ser contabilizada à parte. Pode cancelar ciclos de baixa resposta antes da punção, retirando-os da taxa por transferência. Pode transferir mais embriões dentro do limite da Resolução CFM 2.320/2022, elevando a gravidez por transferência ao custo de mais gestações múltiplas.
Nenhuma dessas práticas aparece no número final. Por isso a pergunta "qual é a sua taxa" precisa vir acompanhada de "quem entrou nela". A clínica que responde com clareza sobre os casos que recusa está sendo mais honesta do que a que mostra o número maior.
Quer saber a sua chance, e não a média do site?Um especialista parceiro da Nidavitae estima a chance no seu caso depois dos exames, com custo e parcelamento antes da consulta.
Estimar a minha chance com um especialista em FIVComparar duas clínicas pela taxa divulgada é enganoso porque os números quase nunca medem a mesma coisa. Uma usa gravidez clínica por transferência, a outra nascido vivo por ciclo iniciado. Uma inclui ovodoação, a outra separa. Uma tem pacientes de 31 anos em média, a outra de 38. O que sai daí é uma comparação entre métricas, com as clínicas de fora.
Exemplo ilustrativo. Camila, 39 anos, comparou duas clínicas. A primeira anunciava uma taxa maior, calculada por transferência, com pacientes na maioria abaixo de 35 anos, sem incluir ciclos cancelados. A segunda mostrava uma taxa menor, por ciclo iniciado, na faixa de 38 a 40 anos, incluindo cancelamentos. Na consulta, a segunda clínica estimou para Camila uma chance individual acima do que a primeira havia sugerido, porque conhecia a própria estatística na idade dela. O número maior do site era o menos útil dos dois.
A taxa divulgada serve para uma coisa: avaliar se a clínica é transparente. Uma clínica que mostra métrica, faixa de idade, denominador e ano fechado está oferecendo informação; a que mostra um número redondo, propaganda. O guia como escolher clínica de fertilização coloca essa transparência entre os doze critérios de escolha.
Quando uma paciente me traz a taxa de uma clínica, a primeira coisa que pergunto é taxa de quê, dividida por quem e em que idade. Sem essas três respostas, o número não pode ser comparado com nada, nem com o dela mesma.
Na consulta, cinco perguntas bastam para saber se a taxa apresentada tem base ou não. Leve por escrito e anote a resposta de cada clínica na mesma folha.
Teste positivo, gravidez clínica ou nascido vivo. Só a última responde à sua pergunta.
Resposta boa: nascido vivoCiclo iniciado, punção ou transferência. Quanto mais cedo no funil, mais honesto.
Resposta boa: por ciclo iniciadoPeça o número da sua faixa e a distribuição de idade das pacientes do cálculo.
Resposta boa: quatro faixas separadasNascido vivo somando a fresco e congelados de uma mesma estimulação.
Resposta boa: por estimulação, com média de transferênciasCasos recusados, ovodoação à parte, ciclos cancelados e ano de referência.
Resposta boa: lista clara do que não entrouA clínica que responde às cinco com números e ressalvas merece a sua confiança, mesmo que o número final seja menor do que o da concorrente. A lista completa de perguntas para a consulta está no guia perguntas para a primeira consulta, organizada por bloco.
Quatro pontos que raramente aparecem nos textos sobre taxa de sucesso de clínica de FIV e que mudam a leitura de qualquer número.
Quem entende esses quatro pontos passa a valorizar a clínica que explica de onde o número veio, mesmo quando ele é menor.
Os erros de leitura de taxa de sucesso vêm de quatro atalhos que a propaganda estimula.
Evitar esses erros exige uma folha com cinco perguntas e a disposição de preferir a clínica que responde com ressalvas à que responde com um número redondo.
Antes de dar peso a qualquer taxa apresentada por uma clínica, passe o número por estes seis itens. Se dois ou mais ficarem sem resposta, o número não serve para decidir.
Com o número decifrado, o que resta é a sua chance individual, que só um especialista estima depois dos exames. Para entender o cenário nacional em que essas taxas são produzidas, leia os dados da reprodução assistida no Brasil e a página onde fazer fertilização in vitro, com a distribuição dos centros por estado.
Descubra a sua chance real, na sua idadeTriagem gratuita, indicação de especialista parceiro e custo antes da consulta.
Fazer minha triagem gratuitaA taxa de sucesso de uma clínica de FIV é a proporção de tratamentos que chegaram a um resultado, mas o resultado varia conforme a métrica: pode ser teste positivo, gravidez clínica ou nascido vivo. O denominador também muda: ciclo iniciado, punção ou transferência. Sem saber qual resultado e qual denominador a clínica usou, o número não diz quase nada sobre a sua chance.
Gravidez clínica é a gestação confirmada por ultrassom com saco gestacional ou batimento cardíaco. Nascido vivo é o bebê que nasceu. Entre uma etapa e outra, parte das gestações se perde, principalmente em mulheres acima de 38 anos. Por isso a taxa de gravidez clínica é sempre maior do que a de nascido vivo, e a segunda é a que responde à pergunta que a paciente faz.
Taxa por transferência conta só os casos em que houve embrião transferido para o útero. Ela exclui as pacientes cujo ciclo foi cancelado, que não tiveram óvulo coletado ou não formaram embrião. Como retira do cálculo os casos mais difíceis, é sempre maior do que a taxa por ciclo iniciado. É a métrica mais usada em propaganda por esse motivo.
Taxa acumulada é a chance de nascido vivo somando todas as transferências, a fresco e de embriões congelados, que saem de uma única estimulação ovariana. Ela responde à pergunta certa: qual é a minha chance ao fazer um ciclo completo de FIV. Poucas clínicas divulgam esse número, e é ele que você deve pedir na consulta, por faixa de idade.
A taxa de sucesso muda com a idade porque a qualidade dos óvulos cai com o tempo, com mais alterações cromossômicas que impedem a implantação ou levam ao aborto. Uma clínica com muitas pacientes abaixo de 35 anos mostra números maiores sem ser melhor. Compare sempre a taxa da sua faixa de idade, nunca a média geral.
Não necessariamente. Uma taxa maior pode vir de pacientes mais jovens, de recusa de casos difíceis, de transferência de mais embriões ou de uma métrica mais generosa, como gravidez clínica por transferência. Duas clínicas com a mesma competência mostram números diferentes conforme o perfil de quem atendem. Compare a mesma métrica, na mesma faixa de idade, e pergunte pelo seu caso.
O SisEmbrio, sistema da Anvisa, publica todo ano um relatório com dados agregados dos centros de reprodução assistida do Brasil: número de ciclos, embriões congelados, transferências e distribuição por região. Ele não publica taxa de sucesso por clínica. O guia da Nidavitae sobre dados da reprodução assistida no Brasil explica como ler o relatório e o que ele não mostra.
Peça a taxa de nascido vivo por ciclo iniciado, na sua faixa de idade, no último ano fechado, e a taxa acumulada por estimulação. Pergunte quantas pacientes entraram no cálculo e se a clínica recusa casos difíceis. A resposta boa vem com números, ressalvas e o que muda no seu caso. A resposta ruim é um número redondo sem contexto.
Não. A taxa da clínica é uma média de pacientes diferentes de você. A sua chance depende da sua idade, da reserva ovariana, da causa da infertilidade, do sêmen e do número de embriões formados. O especialista estima a chance individual depois dos exames. A taxa da clínica serve para conferir método e transparência, não para prever o seu resultado.
A Nidavitae conecta você a especialistas parceiros em todo o Brasil e mostra o custo e o parcelamento antes da consulta. Na triagem gratuita, você informa idade, cidade e situação, e recebe a indicação de um especialista que atende ao seu perfil. Na consulta, você leva as perguntas deste guia e compara as respostas de cada clínica na mesma métrica.
Os próximos guias para quem está decidindo: o que perguntar na consulta, os dados nacionais de reprodução assistida e os doze critérios de escolha.

Lista por bloco, com o que a resposta boa precisa conter.
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Ciclos, centros, crescimento e concentração regional segundo o SisEmbrio.
Ler os dados nacionais de reprodução assistida
Do RQE do médico ao orçamento por escrito: o que verificar antes de fechar.
Verificar os 12 critérios da clínicaQuando terminar de ler, a triagem gratuita indica um especialista parceiro para o seu caso, com estimativa de custo e parcelamento.