Inseminação e doação

Taxa de sucesso da inseminação artificial por idade

A taxa de sucesso da inseminação artificial é menor do que a maioria imagina por tentativa, e cai rápido com a idade. Este guia da Nidavitae mostra a chance de engravidar na inseminação por faixa de idade, por que ela cresce até a terceira tentativa e para depois, e quando mudar de estratégia sem perder meses.

Documentos, calculadora e materiais de organização sobre uma mesa (imagem ilustrativa).
Especialista em reprodução humana mostrando um gráfico de chance por idade a uma paciente

Resposta rápida

A chance de engravidar na inseminação artificial por ciclo é modesta, em geral menor do que uma em cada cinco tentativas, mesmo nas melhores condições. Ela é maior até os 34 anos, cai entre 35 e 37 e cai muito a partir dos 38. A chance acumulada em três ciclos é bem maior do que a de um ciclo, mas quase não cresce depois da terceira tentativa. Por isso a regra é até três inseminações, com trompas abertas e sêmen adequado, e migração para a FIV se não houver gravidez.

A chance real da inseminação por tentativa

A inseminação artificial engravida uma minoria das mulheres a cada ciclo. Na literatura médica, a chance por tentativa fica abaixo de uma em cada cinco, mesmo em mulheres jovens, com trompas abertas, sêmen adequado e estimulação leve da ovulação. Em condições menos favoráveis, ela é bem menor. Quem espera uma chance parecida com a da FIV se frustra na primeira tentativa.

O motivo está no que a técnica faz e no que ela não faz. A inseminação intrauterina coloca o sêmen preparado dentro do útero no dia da ovulação, encurtando o caminho do espermatozoide. Tudo o que vem depois continua acontecendo por conta própria: o espermatozoide precisa chegar à trompa, encontrar o óvulo, fecundá-lo, e o embrião precisa descer e implantar. Cada uma dessas etapas pode falhar sem que nenhum exame prévio mostre por quê.

A inseminação é, por isso, uma técnica proporcional: para o caso certo, ela resolve com pouca medicação, sem anestesia e com custo menor por ciclo. Para o caso errado, ela consome meses. O que separa os dois é a idade, os exames e o número de tentativas, que este guia percorre na ordem.

Taxa de sucesso da inseminação por idade

A idade da mulher é o fator que mais pesa na chance da inseminação, mais do que a técnica de preparo do sêmen ou o tipo de estimulação. Como a fecundação depende inteiramente do óvulo daquele mês, a queda de qualidade dos óvulos com a idade atinge a inseminação primeiro e com mais força do que a FIV, que seleciona entre vários óvulos e embriões.

  • Até 34 anosMelhor faixa

    A chance por ciclo está no seu ponto mais alto. Com trompas abertas e sêmen adequado, três ciclos são uma primeira etapa razoável antes de pensar em FIV.

  • 35 a 37 anosAinda faz sentido

    A chance começa a cair. O especialista costuma limitar a duas ou três tentativas e pedir a reserva ovariana antes de indicar.

  • 38 a 40 anosDecida rápido

    A queda é acentuada. A maioria das diretrizes recomenda a FIV direto, ou no máximo uma tentativa de inseminação com exames muito favoráveis.

  • Acima de 40 anosFIV é a regra

    A chance por ciclo é baixa o bastante para que a inseminação raramente seja indicada. A FIV, com ou sem ovodoação, entra na conversa desde o início.

Esses cartões valem para tentantes com parceiro e para mães solo e casais de mulheres com sêmen de doador. O que define a faixa é a idade da mulher que vai engravidar, e a fonte do sêmen só muda o quanto o fator masculino pesa. A American Society for Reproductive Medicine e a European Society of Human Reproduction and Embryology orientam, nas suas diretrizes, a migração precoce para a FIV a partir dos 38 anos por esse motivo.

Chance por ciclo e chance acumulada em três ciclos

A chance da inseminação precisa ser lida de duas formas: por ciclo e acumulada. A chance por ciclo é a de um mês isolado. A chance acumulada é a de engravidar em algum dos ciclos de uma sequência, e é ela que justifica tentar mais de uma vez. Em três ciclos, a chance acumulada é bem maior do que a de um ciclo, porque cada tentativa é uma nova oportunidade independente.

O ponto que a maioria dos guias esconde é que essa curva achata. A maior parte das gestações por inseminação acontece nos três primeiros ciclos. Da quarta tentativa em diante, o ganho é pequeno, porque as mulheres que não engravidaram em três ciclos bem conduzidos tendem a ter um fator que a inseminação não resolve. É por isso que o limite de três tentativas é quase consenso entre especialistas e está nas diretrizes de sociedades como a ASRM.

Como a chance da inseminação se comporta ao longo das tentativas, por faixa de idade
Faixa de idadeChance por cicloChance acumulada em três ciclosQuando mudar para a FIV
Até 34 anosA mais alta da técnica, ainda assim minoritáriaBem maior que a de um ciclo; a maioria das gestações ocorre aquiApós a terceira tentativa sem sucesso
35 a 37 anosEm queda, ainda razoável com exames favoráveisCresce menos que na faixa anteriorApós a segunda ou terceira tentativa
38 a 40 anosBaixaCresce pouco; o tempo perdido pesa mais que o ganhoAntes de começar, ou após uma tentativa
Acima de 40 anosMuito baixaQuase não cresceFIV como primeira indicação

A tabela é qualitativa de propósito. Os percentuais publicados variam muito entre serviços, países e critérios de seleção das pacientes, e um número solto na internet não vale para o seu caso. O que vale é a tendência: a chance cai com a idade e para de crescer depois do terceiro ciclo. O guia quantas inseminações antes da FIV aprofunda o momento certo de mudar.

O que aumenta a chance da inseminação

Cinco fatores aumentam a chance de um ciclo de inseminação dar certo, e todos dependem de avaliação antes de começar. Nenhum deles transforma a técnica em FIV, mas juntos separam um ciclo bem conduzido de um ciclo feito às cegas.

  • Trompas comprovadamente abertas, por histerossalpingografia. Sem esse exame, a inseminação pode estar sendo feita em uma mulher sem chance alguma.
  • Estimulação leve da ovulação, com um ou dois folículos maduros. Aumenta a chance por ciclo em relação ao ciclo natural, com risco controlado de gêmeos.
  • Momento certo do procedimento, sincronizado com a ovulação por ultrassom e, quando usado, pela injeção de gatilho.
  • Sêmen com número suficiente de espermatozoides móveis após o preparo no laboratório, ou sêmen de banco selecionado.
  • Idade e reserva ovariana favoráveis, avaliadas pelo hormônio antimülleriano e pela contagem de folículos.

A ausência de qualquer um desses cinco pontos não impede a tentativa, mas reduz a chance e deve ser dita com clareza antes do primeiro ciclo. A paciente que sabe qual fator está contra ela decide melhor quantas tentativas fazer.

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O que derruba a chance, mesmo com exames normais

A inseminação falha com frequência em mulheres com exames normais, e isso confunde quem esperava que "tudo em ordem" significasse chance alta. Os fatores que derrubam a chance são, em parte, invisíveis aos exames de rotina.

O primeiro é a qualidade do óvulo daquele mês. A partir dos 35 anos, uma proporção crescente dos óvulos tem alteração cromossômica, e nenhum exame prévio mostra qual óvulo vai ovular naquele ciclo. O segundo é a endometriose, que pode reduzir a chance mesmo em graus leves, por alterar o ambiente da pelve e da trompa. O terceiro é o fator masculino discreto, com espermatozoides em número suficiente mas com alteração de função que o espermograma comum não detecta.

Há ainda o tempo de infertilidade. Casais que tentam há mais de três anos sem causa aparente têm chance menor na inseminação do que casais com um ano de tentativa, porque a infertilidade prolongada sem explicação sugere um fator oculto. Para esses casos, a FIV com ICSI costuma ser mais eficiente, porque permite observar a fecundação e o desenvolvimento do embrião diretamente.

Exemplo ilustrativo. Juliana, 33 anos, e Rafael tentavam há um ano. Exames normais, trompas abertas, espermograma sem alteração. Fizeram três ciclos de inseminação com estimulação leve, sem gravidez. O especialista indicou a FIV com ICSI. No laboratório, apareceu o que os exames não mostravam: uma taxa de fecundação baixa, sugerindo um fator masculino funcional. O casal engravidou na primeira transferência. As três inseminações foram o caminho correto para um casal com aquele perfil, e a falha delas virou informação.

Quando parar a inseminação e mudar de estratégia

A hora de parar a inseminação é definida antes de começar, e não no meio da frustração. A regra mais usada é de até três ciclos para mulheres até 37 anos com exames favoráveis, e de uma ou duas tentativas, quando muito, a partir dos 38. Se a gravidez não veio dentro desse limite, a FIV passa a ser a indicação, porque oferece chance maior por tentativa e informação sobre etapas que a inseminação não mostra.

Existem sinais de que a mudança deve ser antecipada. Uma resposta ruim à estimulação, com nenhum folículo maduro, sugere reserva ovariana menor do que os exames indicavam. Um preparo de sêmen com poucos espermatozoides móveis, repetido em mais de um ciclo, indica fator masculino que a ICSI resolve melhor. A descoberta de endometriose ou de hidrossalpinge muda a indicação no ato.

Parar, nesse ponto, é reconhecer que o caso ficou mais claro e que a técnica proporcional a ele mudou. A página sobre inseminação artificial explica como o ciclo é conduzido e como um especialista parceiro define, desde o início, o número de tentativas para o seu perfil.

Eu combino o número de inseminações com a paciente antes do primeiro ciclo, e esse número raramente passa de três. A quarta tentativa quase nunca é uma decisão médica; costuma ser uma decisão emocional, e ela custa exatamente o que a paciente não tem de sobra: tempo.

Dra. Mariana Costa Albuquerque, ginecologista e especialista em reprodução humana, CRM-SP 154.322, RQE 61.870, revisora médica da Nidavitae

Inseminação com sêmen de doador: a chance muda?

Com sêmen de doador de banco, a chance por ciclo tende a ser um pouco melhor do que com sêmen de parceiro com alteração, porque o material é selecionado, testado para infecções e preparado com padrão de laboratório. Na prática, o fator masculino sai da equação, e a chance passa a depender quase inteiramente da idade e dos exames da mulher.

Para mães solo e casais de mulheres, isso torna a inseminação uma primeira etapa razoável quando a mulher que vai engravidar tem até 35 anos, trompas abertas e reserva ovariana normal. A Resolução CFM 2.320/2022 permite a técnica para pessoas solteiras e casais homoafetivos, com doador anônimo de banco de sêmen. As mesmas regras de limite de tentativas valem: três ciclos, e depois a FIV.

O que não muda a chance para melhor, e piora todo o resto, é fazer a inseminação fora do consultório, com doador conhecido e sêmen sem triagem. O guia inseminação caseira: riscos e alternativas explica por que a via regulada protege a saúde da mulher e o registro do bebê, sem custar a chance de gravidez.

O que a maioria dos guias não conta

Quatro pontos sobre a taxa de sucesso da inseminação que quase ninguém escreve e que mudam a expectativa antes do primeiro ciclo.

Percentual de gravidez não é percentual de bebê
Parte das gestações se perde nas primeiras semanas, e a perda cresce com a idade. A chance de levar um bebê para casa é menor do que a chance de beta positivo em qualquer técnica.
Ciclo natural e ciclo estimulado têm chances diferentes
A inseminação sem estimulação tem chance por ciclo menor. Quando alguém cita um número, pergunte se ele inclui estimulação e quantos folículos.
Gêmeos são o risco escondido da estimulação
Com dois ou três folículos maduros, a chance de gestação múltipla sobe. É por isso que o ciclo é cancelado quando a resposta é exagerada.
A taxa de um serviço não é a sua taxa
Serviços que selecionam pacientes jovens publicam números melhores. A única taxa que importa é a estimada para a sua idade e os seus exames.

Quem chega ao primeiro ciclo com esses quatro pontos claros não se assusta com um negativo nem insiste além do limite, e usa cada tentativa como informação para a próxima decisão.

Os erros que reduzem a chance da inseminação

A maior parte das inseminações que falham por motivo evitável falha por um destes quatro erros, todos anteriores ao procedimento.

  • Fazer inseminação sem avaliar as trompasSem histerossalpingografia, o ciclo pode estar sendo feito em trompas fechadas, com chance zero.
  • Contar com a chance de "uma em cinco" como certezaEsse número é o teto da técnica em condições ideais. A sua chance depende da idade e dos exames.
  • Insistir além da terceira tentativaA chance acumulada quase não cresce depois do terceiro ciclo. Cada tentativa extra adia a FIV.
  • Começar depois dos 38 sem discutir a FIVNessa faixa, o tempo perdido em inseminação custa reserva ovariana que a FIV precisaria.

Dois exames, uma conversa franca sobre a idade e um número de tentativas combinado antes do primeiro ciclo evitam os quatro.

O que fazer antes do primeiro ciclo

Se você está considerando a inseminação, quatro passos definem se ela tem chance no seu caso e quantas tentativas fazer. Todos acontecem antes do primeiro ciclo, e todos cabem em poucas semanas.

  1. Faça a histerossalpingografia e o espermograma, os dois exames que decidem se a inseminação é possível.
  2. Avalie a reserva ovariana com hormônio antimülleriano e contagem de folículos, principalmente a partir dos 35 anos.
  3. Combine o número de tentativas com o especialista antes de começar: até três, ou menos conforme a idade.
  4. Defina o plano B desde o início: o que acontece se as tentativas combinadas não engravidarem.

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Camila Ferraz, editora de saúde da Nidavitae

Jornalista especializada em saúde, com passagem por redações de ciência e por hospitais de referência. Coordena a produção dos guias da Nidavitae e a checagem das fontes citadas em cada texto. Este guia foi revisado por Dra. Mariana Costa Albuquerque, ginecologista e especialista em reprodução humana (CRM-SP 154.322, RQE 61.870). Conheça a equipe e o método editorial.

Perguntas frequentes sobre a taxa de sucesso da inseminação

Qual é a taxa de sucesso da inseminação artificial?

A taxa de sucesso da inseminação artificial por ciclo é modesta, em geral menor do que uma em cada cinco tentativas, mesmo nas condições mais favoráveis, segundo a literatura médica. A chance acumulada em três ciclos é bem maior do que a de um ciclo isolado. Os números dependem da idade da mulher, das trompas, do sêmen e da estimulação usada.

Qual é a chance de engravidar na inseminação por idade?

A chance de engravidar na inseminação é maior até os 34 anos, começa a cair entre 35 e 37 e cai de forma acentuada a partir dos 38. Depois dos 40, a chance por ciclo é baixa o suficiente para que a maioria dos especialistas indique a FIV direto. O que define é a idade da mulher no dia do procedimento.

Quantas tentativas de inseminação são recomendadas?

A maioria dos especialistas recomenda até três ciclos de inseminação. A chance acumulada cresce até a terceira tentativa e depois quase não sobe. Mulheres com mais de 37 anos costumam migrar para a FIV após uma ou duas tentativas sem sucesso. Insistir além da terceira raramente compensa, em qualquer idade.

A inseminação com estimulação ovariana aumenta a chance?

Sim, de forma moderada. A estimulação leve da ovulação, com comprimido ou injeção em dose baixa, faz amadurecer um ou dois folículos e aumenta a chance por ciclo em relação ao ciclo natural. Em troca, sobe o risco de gêmeos. O especialista ajusta a dose para que não mais de dois folículos amadureçam.

A inseminação com sêmen de doador tem chance maior?

Costuma ter chance por ciclo um pouco melhor, porque o sêmen de banco é selecionado, testado e preparado, o que remove o fator masculino da equação. A chance passa a depender quase só da idade e dos exames da mulher. Para mães solo e casais de mulheres jovens, isso torna a inseminação uma primeira etapa razoável.

Por que a inseminação falha mesmo com exames normais?

Porque a fecundação continua acontecendo dentro do corpo, sem controle. O espermatozoide pode não encontrar o óvulo, o óvulo daquele mês pode ter alteração cromossômica, o embrião pode não implantar. Nada disso aparece nos exames prévios. Por isso a chance por ciclo é limitada mesmo quando tudo está em ordem.

Quantas inseminações antes de partir para a FIV?

Três, na maior parte dos casos. Se não houve gravidez em três ciclos bem conduzidos, com trompas abertas e sêmen adequado, a FIV passa a ser a indicação, porque oferece chance maior por tentativa. Mulheres com mais de 37 anos ou reserva ovariana baixa podem pular a inseminação ou parar após a primeira tentativa sem sucesso.

A inseminação dói?

Não. A inseminação é parecida com um exame preventivo e não precisa de anestesia. O sêmen preparado é colocado no útero com um cateter fino, em poucos minutos. Cólica leve e um pequeno sangramento podem ocorrer no mesmo dia. A estimulação da ovulação, quando usada, causa desconforto abdominal leve e inchaço em algumas mulheres.

O plano de saúde cobre a inseminação artificial?

Não é obrigado. O Tema 1.067 do STJ definiu que planos de saúde não são obrigados a cobrir inseminação artificial nem fertilização in vitro. Consultas, exames de investigação e parte da medicação podem ter cobertura, conforme o contrato. O valor do procedimento muda de médico para médico, e é comum haver parcelamento.

Como sei se a inseminação tem chance no meu caso com a Nidavitae?

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