Congelamento e preservação

O que fazer com embriões congelados que você não vai usar

A FIV deu certo, a família está completa e os embriões congelados continuam na clínica, com a taxa anual chegando todo ano. Este guia da Nidavitae mostra as quatro opções permitidas no Brasil, o prazo mínimo de três anos, o que a Resolução CFM 2.320/2022 exige por escrito e como decidir sem deixar a questão para a Justiça.

Embriologista trabalha com placa de cultivo e microscópio no laboratório (imagem ilustrativa).
Casal conversa com especialista sobre o termo de destino dos embriões congelados

Resposta rápida

Quem tem embriões congelados que não vai usar pode manter o armazenamento, doar para outro casal ou pessoa em tratamento, doar para pesquisa ou autorizar o descarte. A Resolução CFM 2.320/2022 permite o descarte e a doação para pesquisa após um prazo mínimo de três anos de congelamento, sempre com consentimento por escrito dos dois responsáveis. A decisão fica registrada em termo assinado na clínica, e nenhuma dessas opções pode ser tomada pela clínica sozinha.

Quais são as opções para embriões que sobraram da FIV

São quatro opções, e todas exigem a decisão por escrito de quem gerou os embriões. A primeira é manter o congelamento de embriões e continuar pagando a taxa anual, seja para uma futura gestação, seja por indecisão. A segunda é doar os embriões a outro casal ou pessoa em tratamento, o que se chama embriodoação. A terceira é doar para pesquisa científica. A quarta é autorizar o descarte.

Os embriões que sobram são uma consequência natural da fertilização in vitro. O laboratório fecunda vários óvulos para ter margem, transfere um ou dois e congela os demais. Quando a família se completa, ou quando o casal desiste de novas tentativas, os embriões restantes precisam de um destino. A maioria dos casais adia essa decisão por anos, e a clínica continua cobrando o armazenamento enquanto isso.

Este guia percorre cada opção com as regras da Resolução CFM 2.320/2022 e da Lei 11.105/2005, mostra o que muda em caso de separação ou morte e ajuda a chegar à clínica com a decisão tomada.

O que a Resolução CFM 2.320/2022 permite e exige

A Resolução CFM 2.320/2022 é a norma que rege a reprodução assistida no Brasil e trata diretamente do destino dos embriões. Ela permite a doação a terceiros, a doação para pesquisa e o descarte, com condições diferentes para cada caso. A tabela resume o que vale hoje.

Opções de destino para embriões congelados no Brasil
DestinoPrazo mínimo de congelamentoQuem precisa autorizarComo fica registrado
Manter congeladosNenhumOs responsáveis, ao renovar o contratoContrato de armazenamento com a clínica
Doar para outro casal ou pessoaNenhumOs dois responsáveis, por escritoTermo de doação anônima e gratuita
Doar para pesquisaTrês anos, ou embrião inviávelOs dois responsáveis, por escritoTermo de consentimento para instituição de pesquisa
DescarteTrês anosOs dois responsáveis, por escritoTermo de autorização de descarte

A regra que mais surpreende é a exigência de decisão prévia. No momento do congelamento, os responsáveis precisam declarar por escrito o que fazer com os embriões em caso de divórcio, dissolução de união estável, doença grave ou morte de um deles. Esse termo, assinado no dia da vitrificação, é o que a clínica vai seguir anos depois. Muitos casais assinam sem ler e descobrem o conteúdo só quando a situação acontece.

A resolução também fixa a idade máxima de 50 anos para a mulher receber a transferência, com exceções avaliadas pelo médico, e proíbe a escolha de sexo e qualquer pagamento por embriões. A regra é do CFM; quem aplica o termo, no dia a dia, é a clínica.

Doar embriões para outro casal: como funciona a embriodoação

A embriodoação transforma os embriões que você não vai usar na chance de outra pessoa engravidar. Os responsáveis assinam o termo de doação e a clínica disponibiliza os embriões a receptores em tratamento, de forma anônima, sem pagamento e sem vínculo jurídico entre doadores e criança. Os doadores não escolhem quem recebe, e os receptores não conhecem a origem, com exceção do compartilhamento entre parentes previsto na norma.

Para quem recebe, a adoção de embriões (embriodoação) é uma alternativa à ovodoação e à doação de sêmen quando os dois gametas precisam ser substituídos, ou quando o casal quer evitar um ciclo completo de estimulação. A página da Nidavitae explica quem costuma ser indicado, como é a preparação do útero e o que compõe o custo da transferência.

Para quem doa, o ponto de atenção é emocional. Doar embriões significa que pode existir uma criança com a mesma carga genética dos seus filhos, sem que você saiba. Algumas pessoas consideram essa a melhor opção; outras não conseguem aceitá-la. Não há resposta certa, e a clínica costuma oferecer apoio psicológico antes da assinatura.

Doar embriões para pesquisa: o que a lei permite

A Lei 11.105/2005, a Lei de Biossegurança, autoriza o uso de embriões humanos em pesquisa e terapia quando eles são inviáveis ou estão congelados há três anos ou mais, sempre com o consentimento dos genitores. A Resolução CFM 2.320/2022 repete a permissão. A doação é feita por escrito para instituições de pesquisa autorizadas, sem pagamento e sem qualquer retorno dos embriões.

Na prática, nem toda clínica tem convênio com centros de pesquisa, e a oferta varia por cidade. Pergunte à sua clínica se existe a possibilidade e quais instituições recebem. Se não houver, a doação para pesquisa deixa de ser uma opção real, e a escolha se resume a manter, doar a outro casal ou descartar.

Para muitos casais, a pesquisa é o meio-termo entre a doação a terceiros e o descarte: os embriões não geram uma criança desconhecida nem vão para o descarte. É uma escolha de valores, e ela precisa ser dos dois responsáveis, registrada no mesmo termo.

Descarte de embriões: prazo, termo e como acontece

O descarte é permitido após três anos de congelamento, com autorização escrita dos dois responsáveis. A clínica não pode descartar por conta própria, nem por inadimplência, nem por desinteresse do casal. Sem o termo assinado, os embriões continuam armazenados, e a cobrança da taxa continua também.

O procedimento em si é simples: os embriões são retirados do nitrogênio líquido e deixam de ser viáveis pelo descongelamento sem cultivo, seguindo o protocolo de descarte de material biológico da clínica. Não há cerimônia nem retorno do material. Alguns casais pedem para estar presentes ou para receber um comunicado da data; a clínica pode ou não atender, e vale perguntar.

O prazo de três anos é contado a partir da data da vitrificação. Quem congelou embriões em um ciclo de FIV e engravidou na primeira transferência, por exemplo, só pode autorizar o descarte três anos depois daquela coleta. Até lá, as opções são manter ou doar a outro casal.

A clínica segue o que está escrito. Se nada está escrito, os embriões ficam onde estão, e a conta continua chegando.

Separação, doença e morte: quem decide pelos embriões

Quem decide é o termo assinado no dia do congelamento. A Resolução CFM 2.320/2022 exige que os responsáveis definam por escrito, no momento da criopreservação, o destino dos embriões em caso de divórcio ou dissolução de união estável, de doença grave e de morte de um ou de ambos. A clínica cumpre o que está no documento, mesmo que um dos dois peça outra coisa anos depois.

Na separação, o cenário mais comum é o impasse: um quer usar os embriões, o outro não. A norma trata os embriões como pertencentes ao casal, e a transferência exige a concordância dos dois. Quando o termo previu o destino, a clínica o aplica. Quando não previu, ou quando um dos dois contesta, a questão vai para a Justiça, e as decisões variam conforme o caso. É por isso que o termo importa mais do que qualquer conversa.

Na morte de um dos responsáveis, a reprodução assistida só é permitida se a pessoa falecida deixou autorização prévia e específica para o uso dos embriões nessa hipótese. Sem o documento, o parceiro vivo não pode fazer a transferência, mesmo que os dois planejassem um segundo filho. Esse ponto pega muitos casais de surpresa e é uma das razões para ler o termo com atenção antes de assinar.

Exemplo ilustrativo. Fernanda e Marcelo fizeram FIV aos 34 anos dela, tiveram uma filha e deixaram quatro embriões congelados. No termo, assinado às pressas no dia da coleta, marcaram descarte em caso de separação. Cinco anos depois se separam, e Fernanda quer usar os embriões. A clínica segue o termo e não transfere. O caso vai para a Justiça e leva mais de um ano. Se o casal tivesse discutido o documento com calma, a marcação teria sido consciente, e talvez diferente.

Tem embriões congelados e não sabe o que fazer?Um especialista parceiro da Nidavitae revisa o termo assinado, explica as opções e avalia uma nova transferência.

Falar com um especialista sobre os meus embriões

O custo de não decidir: a taxa anual continua

Enquanto a decisão não é tomada, a clínica cobra a taxa anual de armazenamento. O valor muda de clínica para clínica, e o que importa entender é a estrutura: a taxa remunera o tanque de nitrogênio líquido, o abastecimento, o monitoramento contínuo, a rastreabilidade e a equipe de embriologia. Ela é cobrada por período, em geral anual, e reajustada.

Muitos casais deixam a cobrança correr por anos por não conseguirem decidir, e o total acumulado passa a ser maior do que o custo de uma nova transferência. O guia sobre quanto custa manter embriões congelados mostra o que compõe a taxa, como ela é cobrada e o que acontece na inadimplência.

Quem ainda cogita um segundo filho tem uma decisão diferente: a idade da mulher no dia da coleta é a que conta para a qualidade dos embriões, e a transferência de um embrião congelado costuma ser mais simples e mais barata do que um novo ciclo completo. O guia até que idade congelar óvulos? explica o peso da idade nessa conta.

Eu peço aos casais que leiam o termo de destino dos embriões antes do dia da coleta, e não durante. É um documento que decide o futuro de material genético dos dois, e ninguém deveria assiná-lo entre uma sedação e outra.

Dra. Mariana Costa Albuquerque, ginecologista e especialista em reprodução humana, CRM-SP 154.322, RQE 61.870, revisora médica da Nidavitae

O que a maioria dos guias não conta

Quatro pontos que raramente aparecem nos conteúdos sobre o destino de embriões congelados e que mudam a decisão na prática.

O termo pode ser alterado
A decisão registrada no dia da coleta não é definitiva. Os dois responsáveis podem assinar um novo termo a qualquer momento, desde que estejam de acordo.
Nem todo embrião sobrevive ao descongelamento
A vitrificação tem taxa de sobrevivência alta, mas não total. Quem planeja uma futura transferência precisa contar com essa perda.
Embrião com alteração genética tem regra própria
Embriões considerados inviáveis podem ser doados para pesquisa sem esperar os três anos. A classificação é do laboratório e fica no laudo.
Mudar de clínica não apaga o termo
O transporte de embriões entre clínicas exige a documentação de origem, e o termo assinado acompanha o material.

Com esses quatro pontos, a escolha deixa de parecer irreversível: o termo pode mudar, o laudo diz se o embrião é viável e a clínica responde a perguntas concretas sobre prazo e transporte.

Os erros mais comuns na decisão sobre os embriões

A maior parte dos impasses com embriões congelados nasce de quatro erros cometidos no início, quando a atenção do casal está inteira na gravidez.

  • Assinar o termo sem lerO documento define o destino em caso de separação, doença e morte. Marcado às pressas, ele vira a regra por anos.
  • Adiar a decisão por tempo indefinidoA taxa anual continua, e o total acumulado pode superar o custo de uma nova transferência.
  • Parar de pagar para forçar o descarteA clínica não pode descartar sem autorização escrita. O resultado é dívida, não solução.
  • Decidir sozinho por um embrião que é dos doisQualquer destino exige a assinatura dos dois responsáveis. Uma decisão unilateral não vale na clínica.

Evitar esses erros custa uma conversa entre os dois e uma leitura atenta do termo, nada mais.

O que fazer agora

Se você tem embriões congelados e ainda não decidiu o destino, estes são os passos que a Nidavitae recomenda, nesta ordem.

  1. Peça à clínica uma cópia do termo assinado no dia da coleta e leia o que foi marcado para cada situação.
  2. Conversem os dois sobre as quatro opções e sobre o que cada um sente em relação à doação e ao descarte.
  3. Verifique a data da vitrificação para saber se os três anos já passaram, no caso de descarte ou pesquisa.
  4. Converse com um especialista para revisar o termo, entender as opções da sua clínica e, se houver desejo, avaliar uma nova transferência.

A triagem gratuita da Nidavitae indica um especialista parceiro em reprodução humana para essa conversa, com estimativa de custo e parcelamento de uma eventual transferência antes da consulta. Se a dúvida for sobre a cobrança do armazenamento, o guia sobre quanto custa manter embriões congelados responde o que compõe a taxa e o que acontece se ela não for paga.

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Camila Ferraz, editora de saúde da Nidavitae

Jornalista especializada em saúde, com passagem por redações de ciência e por hospitais de referência. Coordena a produção dos guias da Nidavitae e a checagem das fontes citadas em cada texto. Este guia foi revisado por Dra. Mariana Costa Albuquerque, ginecologista e especialista em reprodução humana (CRM-SP 154.322, RQE 61.870). Conheça a equipe e o método editorial.

Perguntas frequentes sobre o destino de embriões congelados

O que posso fazer com embriões congelados que não vou usar?

Você tem quatro caminhos: manter os embriões congelados pagando a taxa anual, doar para outro casal ou pessoa em tratamento, doar para pesquisa científica ou autorizar o descarte. A Resolução CFM 2.320/2022 permite as três últimas opções, com consentimento por escrito de quem gerou os embriões. O descarte e a doação para pesquisa exigem um prazo mínimo de três anos de congelamento.

Posso descartar embriões congelados no Brasil?

Sim. A Resolução CFM 2.320/2022 permite o descarte de embriões congelados há pelo menos três anos, desde que os dois responsáveis autorizem por escrito. A clínica não pode descartar por conta própria, e a decisão fica registrada em termo assinado. Antes disso, os embriões permanecem armazenados e a taxa anual continua sendo cobrada.

Como funciona a doação de embriões para outro casal?

O casal ou a pessoa que gerou os embriões assina um termo de doação, e a clínica os disponibiliza a receptores em tratamento, de forma anônima e sem pagamento. Os doadores não escolhem quem recebe nem têm vínculo jurídico com a criança. A embriodoação é indicada para quem não pode usar os próprios gametas ou quer evitar novo ciclo completo.

Embriões congelados podem ser usados em pesquisa?

Sim. A Lei 11.105/2005, conhecida como Lei de Biossegurança, permite o uso em pesquisa de embriões congelados há três anos ou mais, ou inviáveis, com consentimento dos responsáveis. A Resolução CFM 2.320/2022 prevê a mesma possibilidade. A doação é feita por escrito, para instituições de pesquisa autorizadas, sem pagamento e sem retorno dos embriões.

Quem decide o destino dos embriões se o casal se separar?

Vale o que o casal declarou por escrito no termo assinado na clínica antes do congelamento. A Resolução CFM 2.320/2022 exige que os responsáveis definam, no momento da criopreservação, o destino dos embriões em caso de divórcio, dissolução de união estável, doença grave ou morte. Sem esse registro, a clínica não pode agir, e a questão pode acabar na Justiça.

Um dos dois pode usar os embriões depois da morte do outro?

Só com autorização prévia e específica por escrito. A Resolução CFM 2.320/2022 permite a reprodução assistida após a morte de um dos responsáveis apenas quando ele deixou autorização expressa para o uso dos embriões nessa situação. Sem o documento, a clínica não pode transferir os embriões, mesmo a pedido do parceiro vivo.

Existe prazo máximo para manter embriões congelados?

Não existe prazo máximo definido. Os embriões vitrificados mantêm a qualidade em nitrogênio líquido sem validade técnica conhecida. O que existe é o prazo mínimo de três anos para descarte ou doação para pesquisa e a taxa anual cobrada pela clínica enquanto durar o armazenamento. A idade máxima de 50 anos para a mulher receber a transferência também entra na conta.

A clínica pode descartar meus embriões se eu parar de pagar?

A clínica não pode descartar embriões sem o consentimento escrito dos responsáveis, mesmo em caso de inadimplência. O que o contrato costuma prever é notificação, cobrança e prazos. O impasse é comum e cria um passivo jurídico para a clínica e uma dívida para a paciente. A saída é decidir o destino e registrar a decisão antes de parar de pagar.

Doar embriões tem custo?

A doação em si não é paga, porque a Resolução CFM 2.320/2022 proíbe qualquer remuneração por gametas ou embriões. A clínica pode cobrar taxas administrativas, exames de triagem dos doadores exigidos por norma e o armazenamento até a data da doação. Pergunte o que está incluído antes de assinar o termo, e confirme que as taxas anuais são encerradas na doação.

Como decidir o destino dos embriões com apoio de um especialista?

Comece pela triagem gratuita da Nidavitae. Em cerca de um minuto, você informa nome, WhatsApp, idade e cidade, e recebe a indicação de um especialista parceiro em reprodução humana para revisar o termo assinado, esclarecer as opções e, se houver interesse, avaliar uma nova transferência. A consulta esclarece as regras antes de qualquer assinatura.

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Os próximos guias para quem tem material congelado: a taxa de armazenamento, a idade para congelar e a diferença entre óvulos e embriões.

Quando terminar de ler, a triagem gratuita indica um especialista parceiro para o seu caso, com estimativa de custo e parcelamento.

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