
FIV negativa: o que investigar antes de tentar de novo
As perguntas ao médico e quando pedir uma segunda opinião.
Investigar a FIV negativa"Já fiz duas FIV e nada. Tento de novo ou paro?" Essa é a pergunta que mais pesa depois de um beta negativo, e a resposta depende de contar as tentativas do jeito certo. Este guia da Nidavitae mostra quantos ciclos de fertilização in vitro fazem sentido em cada idade, como a chance acumulada funciona e quais sinais indicam que é hora de mudar de estratégia, e não só de repetir.

Resposta rápida
A referência mais usada pelos especialistas é de até três ciclos completos de FIV com a mesma estratégia, contando todas as transferências dos embriões de cada coleta. A chance acumulada cresce a cada ciclo, mas cada vez menos, e depois do terceiro o ganho é pequeno se nada mudou. O número certo para o seu caso depende da idade, da reserva ovariana e do que o laboratório mostrou. Um beta negativo isolado não pede mudança; o que pede é a repetição do mesmo problema, ciclo após ciclo, sem investigação.
A referência mais usada pelos especialistas é de até três ciclos completos de fertilização in vitro com a mesma estratégia antes de rever o plano. É uma referência clínica, sem força de lei: o ponto em que a chance acumulada, que cresce a cada ciclo, passa a crescer pouco se nada foi alterado. Para uma mulher de 32 anos com boa reserva ovariana, três ciclos completos oferecem uma chance acumulada alta; para uma de 42, o mesmo número oferece muito menos, e a revisão precisa vir antes.
A chave está na palavra "completo". Um ciclo completo reúne uma estimulação, uma coleta de óvulos e todas as transferências feitas com os embriões dessa coleta, a fresco e congeladas. Uma transferência negativa com dois embriões ainda guardados não é uma tentativa encerrada. Contar cada transferência como uma tentativa faz o casal desistir cedo demais; contar cada estimulação sem olhar os embriões que sobraram faz gastar dinheiro à toa.
O Brasil registrou 62.997 ciclos de FIV em 2025, segundo o SisEmbrio, e uma parte relevante deles é de mulheres em segunda ou terceira tentativa. A página fertilização in vitro: como funciona e chances explica o que acontece em cada ciclo e o que compõe o custo, e é o ponto de partida para quem ainda não fez o primeiro.
A pergunta deste guia é outra: quantas vezes vale tentar do mesmo jeito, e o que muda quando a resposta é não.
Antes de contar, defina o que está sendo contado. Três palavras se confundem na conversa entre pacientes, e a confusão muda a decisão. A tabela abaixo define cada uma e mostra o que ela diz sobre a sua chance.
| Unidade | O que inclui | O que ela revela | Como contar |
|---|---|---|---|
| Transferência | Uma transferência de um ou mais embriões para o útero | Se aquele embrião, naquele endométrio, se implantou | Não é uma tentativa completa se restam embriões congelados |
| Ciclo de estimulação | Injeções, ultrassons e coleta de óvulos | Quantos óvulos e embriões a sua reserva rende por vez | Conta como tentativa só depois de usar os embriões gerados |
| Ciclo completo | Uma coleta mais todas as transferências dos seus embriões | A chance real daquela estratégia no seu caso | É a unidade certa para decidir quantas tentativas fazer |
Um ciclo que não chegou à transferência, porque não houve óvulo maduro ou nenhum embrião se desenvolveu, também conta, e conta muito: ele revela um problema de quantidade ou de qualidade que uma nova estimulação igual não vai resolver. Nesse caso, a revisão da estratégia deve acontecer já, e não depois do terceiro ciclo.
Ao contar as suas tentativas, use os relatórios do laboratório de cada ciclo: número de óvulos coletados, maduros, fecundados, embriões no dia três e blastocistos no dia cinco. Esses cinco números, ciclo a ciclo, dizem mais sobre a próxima decisão do que o resultado do beta.
A chance acumulada é a probabilidade de conseguir um nascimento somando ciclos sucessivos. Ela cresce a cada tentativa, porque cada nova coleta é uma nova oportunidade de encontrar um embrião capaz de gerar a gravidez. Mas ela cresce cada vez menos, por dois motivos que precisam ficar claros antes de planejar.
O primeiro é que as chances por ciclo não se somam: se cada ciclo tem uma chance parecida, a probabilidade de pelo menos um dar certo em três ciclos é maior do que a de um só, mas é bem menor do que o triplo. O segundo é que quem não engravidou nas primeiras tentativas tende a ter fatores mais difíceis, como reserva baixa ou embriões de pior qualidade, e a chance dos ciclos seguintes costuma ser um pouco menor do que a dos primeiros.
Some a isso a idade avançando. Uma mulher que começa aos 38 e faz o terceiro ciclo aos 40 fez as três tentativas em faixas de chance diferentes, e a última rende menos do que a primeira. É por isso que a chance acumulada de três ciclos feitos em seis meses é maior do que a dos mesmos três ciclos espalhados em três anos. O guia taxa de sucesso da FIV por idade mostra como ler esses números.
Três ciclos em seis meses valem mais do que três ciclos em três anos. O tempo entre as tentativas é parte da estratégia.
Planejar o número de ciclos e o intervalo entre eles desde o início, em vez de decidir tentativa por tentativa, é o que dá à chance acumulada a sua melhor forma.
O número de ciclos que faz sentido com a mesma estratégia muda com a idade, porque muda a chance de cada um. Os cartões abaixo descrevem a lógica de cada faixa, em termos qualitativos. O plano do seu caso depende dos exames e do que os ciclos anteriores mostraram.
A chance por ciclo é a mais alta e a acumulada de três ciclos é boa. Uma ou duas negativas não indicam problema; a investigação começa se não houver blastocisto ou após três ciclos completos.
Cada ano pesa. Os ciclos devem ser próximos, e o acúmulo de embriões com teste genético entra na conversa a partir do segundo ciclo sem blastocisto de boa qualidade.
O especialista define no início o número máximo de ciclos com óvulos próprios, em geral dois ou três seguidos, e o ponto de migração para a ovodoação.
Com óvulos próprios, cada ciclo é reavaliado antes do seguinte. A ovodoação costuma ser o caminho com mais chance, e adiá-la reduz a chance total.
Uma exceção vale para todas as faixas: quando um ciclo não gera nenhum embrião, ou nenhum blastocisto, a revisão da estratégia acontece imediatamente, e não depois do número de ciclos previsto. Repetir uma estimulação idêntica depois de um ciclo sem embrião é o desperdício mais comum na FIV.
O beta negativo, sozinho, não é sinal de mudar. Embriões de boa qualidade não se implantam em uma parte das transferências, e isso é esperado. Os sinais de que a estratégia precisa mudar estão nos relatórios do laboratório e nos exames, e são estes.
Todos esses sinais estão nos números do ciclo. Quem guarda os relatórios e os leva à consulta de revisão transforma uma tentativa negativa em informação para a próxima.
Já fez uma ou duas FIV e não sabe se repete ou muda?Um especialista parceiro da Nidavitae analisa os relatórios dos seus ciclos e propõe o próximo passo, com estimativa de custo e parcelamento.
Revisar a minha estratégia de FIVMudar de estratégia é alterar uma das quatro variáveis que definem a chance, sem abandonar a FIV: o protocolo de estimulação, a técnica de laboratório, a origem dos óvulos ou a equipe. A ordem certa é da mudança menor para a maior, guiada pelo que os ciclos anteriores mostraram.
Trocar doses, medicações ou o tipo de protocolo. Para quem respondeu pouco, a mini FIV ou o ciclo natural podem render óvulos de qualidade parecida com menos medicação. O guia mini FIV e FIV em ciclo natural mostra para quem servem.
Primeira mudança a considerarPassar da FIV clássica para a ICSI, cultivar até blastocisto, congelar todos os embriões e transferir em outro ciclo, ou testar os embriões com PGT-A em mulheres acima de 38 anos ou com falhas repetidas.
Quando o problema está na fecundação ou no embriãoHisteroscopia, avaliação do endométrio, exames de coagulação e imunológicos com indicação, e a análise da fragmentação do DNA do sêmen quando os embriões param cedo.
Quando embriões bons não se implantamA ovodoação quando a reserva é muito baixa, os ciclos não geram blastocisto normal ou a idade passa de 43 anos. Devolve a chance de uma mulher jovem e costuma resolver em um ciclo o que três não resolveram.
A mudança de maior impacto na chanceTrocar de clínica é a quinta mudança possível, e faz sentido quando as quatro anteriores não foram sequer discutidas. Uma segunda opinião depois de dois ciclos sem sucesso é prática comum, não ofende o médico atual e muitas vezes confirma o plano, o que também tem valor.
Multiplicar o valor de um ciclo pelo número de ciclos superestima o custo de várias tentativas. Uma transferência de embriões congelados custa muito menos do que um ciclo completo, porque dispensa a estimulação, a coleta e a fecundação. Por isso, um ciclo de coleta que gera vários blastocistos pode render duas ou três transferências por uma fração do valor da primeira. O valor de cada etapa muda de médico para médico.
Em cada ciclo completo, o custo se divide em consultas e exames, medicação hormonal, centro cirúrgico, laboratório e congelamento com armazenamento. A medicação é o item que mais varia entre um ciclo e outro, porque a dose depende da resposta anterior. Testes como o PGT-A e procedimentos como a histeroscopia entram como itens separados quando indicados. A calculadora de custo da FIV da Nidavitae permite montar a estimativa por cenário: um, dois ou três ciclos, com ou sem teste genético.
As formas de pagar mudam de clínica para clínica: parcelamento no cartão, financiamento de saúde, consórcio, dedução das despesas médicas no imposto de renda e, para consultas e exames, o plano de saúde, que não é obrigado a cobrir a FIV em si, conforme o Tema 1.067 do STJ. Algumas clínicas oferecem programas de mais de um ciclo com condições próprias, que valem a pena para quem já sabe que vai precisar de mais de uma tentativa. O hub de formas de pagamento detalha cada opção.
Exemplo ilustrativo. Fernanda, 36 anos, fez um primeiro ciclo que gerou três blastocistos. A transferência a fresco deu negativo, e ela quase contou o ciclo como tentativa perdida. O especialista mostrou que ainda havia dois embriões congelados, e a segunda transferência, dois meses depois, resultou em gravidez. Ela alcançou o resultado com um único ciclo completo, e o custo da segunda transferência foi uma pequena parte do custo da primeira estimulação.
Eu decido a próxima tentativa pelos cinco números do laboratório, ciclo a ciclo, e não pelo resultado do beta. Quando eles se repetem, repetir a estratégia é gastar a reserva ovariana da paciente para descobrir o que já sabemos.
Quatro coisas que os textos sobre tentativas de FIV costumam deixar de fora e que mudam a decisão na prática.
Quem leva esses quatro pontos para a consulta de revisão decide o segundo ciclo com os números do laboratório na mesa, e o cansaço de mais um beta negativo deixa de mandar na decisão.
A maior parte das tentativas desperdiçadas vem de decisões tomadas sem olhar os relatórios. Estes são os quatro erros que um especialista mais vê em quem chega para a segunda ou terceira FIV.
Nenhum dos quatro custa dinheiro para evitar. Conte as tentativas em ciclos completos, guarde os relatórios e mude uma variável a cada nova tentativa, com o especialista.
Se você já fez uma ou mais FIV e está decidindo o próximo passo, estes são os quatro passos que a Nidavitae recomenda, nesta ordem, antes de começar qualquer nova estimulação.
Se o seu último ciclo terminou em beta negativo, o guia FIV negativa: o que fazer agora detalha as perguntas a fazer ao médico e o que investigar antes de tentar de novo. Para qualquer situação, a triagem gratuita da Nidavitae indica um especialista parceiro em FIV na sua região, com estimativa de custo e parcelamento antes da consulta.
Decida a próxima tentativa com os números do laboratórioTriagem gratuita, indicação de especialista em FIV e estimativa de custo por cenário antes da consulta.
Fazer minha triagem gratuitaA referência mais usada pelos especialistas é de até três ciclos completos de FIV com a mesma estratégia, contando todas as transferências dos embriões de cada coleta. Depois disso, a chance acumulada cresce pouco, e o plano deve ser revisto. O número certo para o seu caso depende da idade, da reserva ovariana e do que cada ciclo mostrou no laboratório.
Não existe um limite legal de tentativas de FIV no Brasil. O limite é clínico e financeiro: o especialista avalia se um novo ciclo com a mesma estratégia ainda tem chance razoável, e o casal avalia o custo e o desgaste. A Resolução CFM 2.320/2022 limita a idade da mulher a 50 anos e o número de embriões por transferência, não o número de ciclos.
A chance de uma segunda tentativa costuma ser parecida com a da primeira, quando nada mudou de forma relevante nos exames, e a chance acumulada das duas é maior do que a de uma só. Em geral, uma negativa isolada não reduz a chance seguinte. O que muda a chance é a idade avançando e o que o laboratório revelou sobre os embriões.
Ciclo completo é o conjunto formado por uma estimulação ovariana, uma coleta de óvulos e todas as transferências feitas com os embriões dessa coleta, a fresco e congeladas. Uma transferência negativa não encerra o ciclo se ainda há embriões guardados. É a unidade certa para contar tentativas e para calcular a chance acumulada.
Mudar de clínica faz sentido quando as perguntas sobre o ciclo ficam sem resposta clara, quando o laboratório apresenta resultados abaixo do esperado de forma repetida ou quando o especialista propõe repetir o mesmo protocolo sem investigar as falhas. Uma segunda opinião depois de dois ciclos sem sucesso é razoável e não ofende o médico atual.
Entre uma estimulação e outra, a maioria dos especialistas recomenda um a dois ciclos menstruais de intervalo, para os ovários voltarem ao estado basal. Se há embriões congelados, a transferência seguinte pode ser feita no ciclo menstrual seguinte. O tempo emocional conta tanto quanto o físico, e não há prejuízo em esperar um pouco mais.
Não há evidência de que ciclos repetidos de estimulação causem câncer ou antecipem a menopausa. Os riscos existem a cada ciclo, como a síndrome de hiperestimulação ovariana, e são controlados pelo protocolo e pelo acompanhamento. O desgaste maior de várias tentativas costuma ser emocional e financeiro, e ambos precisam entrar no plano.
O custo de várias tentativas soma os ciclos de estimulação, as medicações de cada um, os procedimentos e as transferências de embriões congelados, que custam menos do que um ciclo completo. O valor muda de médico para médico. Algumas clínicas oferecem programas de mais de um ciclo, e o pagamento pode ser parcelado ou financiado. A simulação na triagem mostra a estimativa por cenário.
A mini FIV, com doses menores de medicação, pode servir para mulheres com reserva ovariana baixa que respondem pouco à estimulação convencional, porque rende um número parecido de óvulos com menos medicação e menos custo. Ela não aumenta a qualidade dos óvulos. O especialista avalia se a mudança de protocolo faz sentido depois de analisar a resposta dos ciclos anteriores.
Comece pela triagem gratuita. Em cerca de um minuto, você informa nome, WhatsApp, faixa de idade e cidade, e a Nidavitae indica um especialista parceiro em fertilização in vitro na sua região, com estimativa de custo e parcelamento antes da consulta. Leve os relatórios dos ciclos anteriores: eles mostram ao especialista o que precisa mudar.
Os próximos guias para quem está decidindo a próxima tentativa: o que investigar depois do beta negativo, quando a mini FIV faz sentido e o que muda depois dos 40.

As perguntas ao médico e quando pedir uma segunda opinião.
Investigar a FIV negativa
Menos medicação, para quem responde pouco à estimulação convencional.
Comparar mini FIV e FIV convencional
O que o especialista avalia antes de indicar óvulos próprios.
Entender a FIV depois dos 40Quando terminar de ler, a triagem gratuita indica um especialista parceiro para o seu caso, com estimativa de custo e parcelamento.