FIV, ICSI e laboratório

PGT-A vale a pena? Quem se beneficia do teste

Se o especialista ofereceu o PGT-A e você não sabe se está pagando por segurança ou por um exame que não muda o seu resultado, a resposta depende da sua idade e do seu histórico. Este guia da Nidavitae mostra quem se beneficia do teste genético do embrião, quem não ganha nada com ele e como decidir antes de começar o ciclo.

Profissional trabalha com amostras em laboratório de genética (imagem ilustrativa).
Embriologista prepara a biópsia de um embrião de cinco dias ao microscópio em laboratório de reprodução assistida

Resposta rápida

O PGT-A vale a pena principalmente para mulheres a partir de 38 anos, casais com aborto de repetição, falhas repetidas de implantação e portadores de alteração cromossômica. Nesses grupos, o teste evita transferir embriões com número errado de cromossomos, que terminariam em negativo ou aborto. Em mulheres jovens com poucos embriões, o ganho é pequeno. O teste seleciona, mas não corrige nenhum embrião nem aumenta o número de embriões saudáveis.

O que o PGT-A faz de verdade

O PGT-A, teste genético pré-implantacional para aneuploidias, verifica se o embrião tem o número correto de cromossomos antes da transferência. No quinto ou sexto dia de cultivo, o embriologista retira de cinco a dez células do trofoectoderma, a camada externa do embrião que vai formar a placenta, sem tocar a massa celular interna, que forma o bebê. As células vão para um laboratório de genética, e o embrião é vitrificado enquanto espera o resultado.

O laudo classifica cada embrião como euploide, com 46 cromossomos, aneuploide, com cromossomo a mais ou a menos, ou mosaico, com mistura de células normais e alteradas. Embriões aneuploides quase nunca geram uma gravidez que chega ao fim, e são a principal causa de negativo e de aborto no primeiro trimestre. O teste permite transferir primeiro os euploides e deixar de lado os aneuploides.

A proporção de embriões aneuploides sobe com a idade da mulher, porque os erros de divisão acontecem no óvulo. Por isso o teste tem valor diferente aos 30 e aos 40 anos. A página PGT-A: teste genético do embrião descreve o procedimento completo e o que compõe o custo. Este guia foca na decisão: para quem o teste muda o resultado.

O que o PGT-A não faz

O PGT-A não corrige embrião. Se o ciclo gerou cinco embriões e três são aneuploides, o teste apenas informa isso: os dois euploides continuam sendo dois, e a chance total do ciclo não aumenta. O que muda é a ordem e a quantidade de transferências: em vez de transferir cinco embriões ao longo de meses até acertar, o casal transfere os dois com chance real e evita negativos e abortos.

O teste também não detecta doenças causadas por um único gene, como fibrose cística, anemia falciforme ou distrofia muscular. Para isso existe o PGT-M, montado sob medida para cada família. Rearranjos estruturais, como translocações, são analisados pelo PGT-SR. E o PGT-A não garante implantação: um embrião euploide ainda depende do útero, do endométrio e de fatores que nenhum teste mede.

O PGT-A não fabrica embrião saudável. Ele mostra quais dos seus embriões já são.

Existe ainda um limite técnico. A biópsia analisa células da placenta futura, e um resultado pode não representar o embrião inteiro. É isso que gera os mosaicos e uma pequena taxa de falsos resultados, que o casal precisa conhecer antes de descartar qualquer embrião.

Quem se beneficia do PGT-A, por faixa de idade e histórico

A tabela abaixo resume o que a evidência disponível sugere para cada perfil. Ela reflete as orientações de sociedades como a ASRM e a ESHRE, que não recomendam o teste para todas as pacientes de FIV e o consideram mais útil em grupos específicos. A decisão final depende dos exames, do número de embriões esperado e da conversa com o especialista.

Para quem o PGT-A costuma mudar o resultado
PerfilO que a evidência sugerePor quê
Mulher com menos de 35 anos, sem históricoBenefício pequeno ou ausenteA maioria dos embriões já é euploide; o teste pouco muda a ordem de transferência
Mulher de 35 a 37 anosBenefício modesto, caso a casoA proporção de aneuploides começa a subir; o ganho depende de quantos embriões existem
Mulher a partir de 38 anosBenefício maiorMetade ou mais dos embriões pode ser aneuploide; o teste evita transferências sem chance
Aborto de repetiçãoBenefício relevanteGrande parte dos abortos precoces é causada por aneuploidia do embrião
Falhas repetidas de implantaçãoBenefício relevanteSepara a causa embrionária da causa uterina e orienta a investigação seguinte
Portador de translocação ou cariótipo alteradoIndicação clara, com PGT-SRO risco de embrião desbalanceado é alto em todo ciclo
Quem quer transferir um embrião por vezBenefício práticoUm euploide por transferência reduz a gestação gemelar sem perder chance

O maior ensaio clínico randomizado sobre o tema, conhecido como STAR e publicado em 2019, não encontrou aumento na taxa de nascidos vivos por paciente na população geral de 25 a 40 anos, mas encontrou benefício por transferência no grupo de 35 a 40 anos. Esse resultado explica por que o teste não é recomendado para todas e por que a idade é o primeiro critério.

Quando o PGT-A pode atrapalhar em vez de ajudar

Em mulheres jovens com poucos embriões, o PGT-A pode custar mais do que rende. Cada embrião testado passa por biópsia e vitrificação, e uma pequena parte não sobrevive a esse processo. Um resultado mosaico ou inconclusivo pode deixar o casal sem saber o que fazer com um embrião que, sem teste, teria sido transferido e talvez implantado. Quando só existem um ou dois embriões, a análise raramente muda a decisão: eles seriam transferidos de qualquer forma.

Outro cenário é a baixa respondedora acima dos 40 anos que faz vários ciclos de acúmulo de embriões. Nela, o PGT-A pode informar que todos os embriões são aneuploides, o que é uma informação dura, mas útil: evita meses de transferências sem chance e antecipa a conversa sobre ovodoação. O teste não muda o resultado, mas muda o tempo até a decisão certa.

Exemplo ilustrativo. Patrícia, 40 anos, teve dois abortos espontâneos em tentativas naturais e uma FIV negativa com transferência de dois embriões sem teste. Na segunda FIV, o casal fez o PGT-A em quatro embriões de dia cinco: um euploide, dois aneuploides e um mosaico de baixo grau. Em vez de quatro transferências ao longo de um ano, Patrícia fez uma, com o embrião euploide. O especialista deixou o mosaico congelado como segunda opção, depois de uma sessão de aconselhamento genético.

Eu indico o PGT-A quando a idade ou o histórico dizem que boa parte dos embriões terá cromossomo errado. Aos 30 anos com seis embriões, o teste raramente muda a ordem de transferência. Aos 40 com quatro, ele evita um ano de negativos e abortos.

Dra. Mariana Costa Albuquerque, ginecologista e especialista em reprodução humana, CRM-SP 154.322, RQE 61.870, revisora médica da Nidavitae

Riscos, limites e o que perguntar antes de aceitar o teste

A biópsia de trofoectoderma é considerada segura quando feita por embriologista treinado, e os estudos disponíveis não mostraram aumento de malformações em bebês nascidos de embriões biopsiados. O risco concreto está em outro lugar: o embrião precisa sobreviver à biópsia, à vitrificação e ao descongelamento, e uma pequena parcela não sobrevive. Em laboratórios experientes, essa perda é baixa, e é a primeira pergunta que o casal deve fazer.

O segundo limite é a interpretação. A biópsia retira células da placenta futura, e um resultado mosaico pode refletir a técnica, o momento da coleta ou uma alteração real. Embriões mosaicos podem ser transferidos em alguns casos, com aconselhamento genético e prioridade para os euploides. O guia Embrião mosaico: transferir ou não? explica como os especialistas decidem nesse cenário.

O terceiro é o resultado inconclusivo, em que a amostra não rende DNA suficiente. Nesse caso, o embrião pode ser rebiopsiado, com nova perda, ou transferido sem resultado. Antes de aceitar o teste, pergunte ao especialista: qual é a taxa de sobrevivência ao descongelamento do laboratório, qual é a proporção de resultados inconclusivos e qual é a política para mosaicos.

Tem 38 anos ou mais, ou já perdeu uma gestação?Um especialista parceiro da Nidavitae avalia se o PGT-A muda o resultado no seu caso.

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O que compõe o custo do PGT-A e como pagar

O PGT-A é cobrado por embrião analisado, e esse é o primeiro dado a entender: quanto mais embriões chegam ao quinto dia, maior o custo do teste. A conta inclui a biópsia feita pelo laboratório de embriologia, o envio e a análise das células no laboratório de genética, a vitrificação de cada embrião e, depois, o ciclo de preparo do endométrio para a transferência do embrião descongelado.

O valor muda de médico para médico e de laboratório para laboratório. Os planos de saúde não são obrigados a cobrir a fertilização in vitro nem as etapas dentro dela, conforme o Tema 1.067 do STJ, mas consultas e exames de investigação costumam ter cobertura. O teste costuma ser pago junto com o ciclo, com parcelamento direto, financiamento ou consórcio, e as despesas médicas podem ser deduzidas no imposto de renda.

Uma forma de pensar o custo é compará-lo ao custo de uma transferência que não teria chance. Cada transferência de embrião aneuploide envolve preparo do endométrio, medicação, procedimento e, muitas vezes, um aborto com curetagem. Para quem tem 38 anos ou mais, evitar duas ou três dessas transferências costuma compensar o teste. A calculadora de custo da FIV da Nidavitae ajuda a montar essa conta antes da consulta.

O que a maioria dos guias não conta sobre o PGT-A

Quatro pontos que os textos sobre teste genético do embrião costumam pular e que mudam a decisão.

Só embriões de dia cinco ou seis podem ser testados
A biópsia exige um blastocisto com trofoectoderma formado. Embriões que param no terceiro dia não chegam ao teste, o que já é uma seleção natural antes do PGT-A.
Euploide não é sinônimo de gravidez
Um embrião com número correto de cromossomos ainda depende do endométrio, do útero e de fatores imunológicos e de coagulação. O teste resolve só a parte embrionária da equação.
O resultado pode ser "nenhum euploide"
Acima dos 40 anos, é comum um ciclo terminar sem embrião transferível. É uma informação difícil, mas que evita transferências sem chance e antecipa a conversa sobre ovodoação.
ICSI costuma ser obrigatória no ciclo com PGT-A
Na FIV convencional, espermatozoides grudados na camada externa do embrião podem contaminar a biópsia. Por isso a maioria dos laboratórios faz a fecundação por ICSI quando há teste.

Com esses quatro pontos, o PGT-A volta ao tamanho certo: uma ferramenta de seleção que economiza tempo e transferências para o perfil certo.

Os erros mais comuns na decisão sobre o PGT-A

O PGT-A gera dois tipos de erro opostos: fazer sem indicação e recusar quando a indicação é clara. Estes são os mais frequentes.

  • Fazer o teste aos 30 anos para "ter certeza"Com a maioria dos embriões euploide, o teste acrescenta custo, biópsia e espera sem mudar a ordem de transferência.
  • Recusar o teste aos 40 anos por causa do custo por embriãoCada transferência de aneuploide custa preparo, medicação, tempo e, muitas vezes, um aborto. A conta costuma fechar a favor do teste.
  • Descartar embriões mosaicos sem aconselhamento genéticoParte deles pode ser transferida com segurança quando não há euploides. Descartar é uma decisão que não volta atrás.
  • Confundir PGT-A com teste de doenças genéticasQuem tem histórico familiar de doença de um gene precisa do PGT-M, e o PGT-A não substitui esse exame.

Os quatro se evitam com uma conversa concreta com o especialista, com a sua idade, o número de embriões esperado e o seu histórico na mesa, antes de assinar o consentimento do ciclo.

Como é o ciclo de FIV com PGT-A, passo a passo

O ciclo com PGT-A é um ciclo de FIV com uma etapa de laboratório a mais e uma pausa para o resultado. As etapas abaixo mostram o caminho mais comum.

  1. Estimulação, coleta e fecundação por ICSI

    Injeções de hormônio por cerca de dez dias, punção com sedação e injeção de um espermatozoide em cada óvulo maduro, para evitar contaminação da biópsia.

    Cerca de 12 dias
  2. Cultivo até o blastocisto e biópsia

    Os embriões que chegam ao quinto ou sexto dia recebem uma abertura na camada externa e têm de cinco a dez células do trofoectoderma retiradas.

    5 a 6 dias
  3. Vitrificação e análise genética

    Cada embrião biopsiado é congelado no mesmo dia. As células vão para o laboratório de genética, que sequencia o DNA e classifica cada embrião.

    1 a 3 semanas
  4. Preparo do endométrio e transferência

    Em um novo ciclo, o endométrio é preparado com estrogênio e progesterona, e um embrião euploide é descongelado e transferido. O teste de gravidez vem cerca de dez dias depois.

    3 a 4 semanas

Depois da transferência, a espera de dez dias costuma ser cheia de dúvidas sobre o que é normal sentir. O guia Sintomas após a transferência de embrião: o que é normal mostra o que esperar nesse período, e vale a mesma leitura para quem transferiu um embrião testado.

O que fazer agora

Se o PGT-A está na mesa, a decisão cabe em uma consulta bem preparada. Quatro passos deixam essa consulta pronta.

  1. Anote a sua idade no dia da coleta e o número de embriões de dia cinco que o especialista espera pelos seus exames de reserva ovariana.
  2. Reúna o histórico: abortos, transferências negativas, cariótipo do casal e resultados de ciclos anteriores.
  3. Pergunte ao laboratório a taxa de sobrevivência ao descongelamento, a proporção de resultados inconclusivos e a política para mosaicos.
  4. Peça ao especialista os dois cenários: chance, tempo e custo do ciclo com e sem o teste, para o seu perfil.

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Camila Ferraz, editora de saúde da Nidavitae

Jornalista especializada em saúde, com passagem por redações de ciência e por hospitais de referência. Coordena a produção dos guias da Nidavitae e a checagem das fontes citadas em cada texto. Este guia foi revisado por Dra. Mariana Costa Albuquerque, ginecologista e especialista em reprodução humana (CRM-SP 154.322, RQE 61.870). Conheça a equipe e o método editorial.

Perguntas frequentes sobre PGT-A

O que é PGT-A?

PGT-A é o teste genético pré-implantacional para aneuploidias. Ele analisa algumas células retiradas da camada externa do embrião de cinco ou seis dias, o trofoectoderma, para verificar se o número de cromossomos está correto. Embriões com número alterado têm menos chance de implantar e mais chance de aborto. O teste seleciona quais embriões transferir primeiro, mas não corrige nenhum embrião.

PGT-A vale a pena para quem?

O benefício é maior para mulheres a partir de 38 anos, casais com aborto de repetição, casais com falhas repetidas de implantação e portadores de alterações cromossômicas. Nesses grupos, a proporção de embriões com número errado de cromossomos é alta, e o teste evita transferências que terminariam em negativo ou aborto. Em mulheres jovens com poucos embriões, o ganho costuma ser pequeno.

PGT-A aumenta a chance de engravidar?

Por transferência, sim, porque só embriões com número normal de cromossomos são transferidos. Por ciclo iniciado, o ganho é menor e depende da idade, porque o teste não cria embriões saudáveis: ele apenas identifica os que já existem. O maior ensaio randomizado sobre o tema, publicado em 2019, encontrou benefício por transferência entre 35 e 40 anos, sem ganho claro nas mais jovens.

A biópsia do PGT-A prejudica o embrião?

A biópsia de trofoectoderma retira poucas células da camada que vai formar a placenta, sem tocar as células que formam o bebê. Feita por embriologista treinado, ela é considerada segura e não mostrou aumento de malformações nos estudos disponíveis. Existe um risco pequeno de o embrião não sobreviver ao processo de biópsia e congelamento, que o laboratório informa antes do procedimento.

O PGT-A detecta todas as doenças genéticas?

Não. O PGT-A verifica apenas o número de cromossomos. Doenças causadas por um gene específico, como fibrose cística ou anemia falciforme, exigem o PGT-M, um teste diferente, feito sob medida para a família. Rearranjos cromossômicos, como translocações, são analisados pelo PGT-SR. O especialista e o geneticista definem qual teste faz sentido para cada casal.

O que significa embrião euploide, aneuploide e mosaico?

Euploide é o embrião com o número correto de cromossomos, o primeiro a ser transferido. Aneuploide é o embrião com cromossomo a mais ou a menos em todas as células analisadas, que em geral não é transferido. Mosaico é o embrião com mistura de células normais e alteradas na biópsia, que pode ser transferido em alguns casos, com aconselhamento genético.

Quanto tempo o resultado do PGT-A demora?

O resultado costuma sair entre uma e três semanas depois da biópsia, dependendo do laboratório de genética. Como o embrião não pode esperar fora do congelador, ele é vitrificado logo após a biópsia, e a transferência acontece em outro ciclo, com o endométrio preparado. Isso adiciona algumas semanas ao tratamento, mas não reduz a chance do embrião.

PGT-A dói?

Não. A biópsia acontece no laboratório, com o embrião ainda em cultivo, e não envolve o corpo da mulher. O que a paciente sente é o mesmo de qualquer FIV: as injeções de estimulação e a punção com sedação. A transferência do embrião testado, feita em outro ciclo, é indolor e não exige anestesia.

O plano de saúde cobre o PGT-A?

Não é obrigado. O Tema 1.067 do STJ definiu que os planos de saúde não são obrigados a custear a fertilização in vitro, e o PGT-A é uma etapa dentro dela. Consultas e exames de investigação costumam ter cobertura. O teste é cobrado por embrião analisado, junto com a biópsia e a vitrificação, e costuma ser pago com parcelamento ou financiamento.

Como sei se preciso de PGT-A?

Comece pela triagem gratuita da Nidavitae. Em cerca de um minuto, você informa nome, WhatsApp, idade e cidade, e recebe a indicação de um especialista parceiro que avalia idade, histórico de abortos, falhas anteriores e exames do casal para dizer se o PGT-A muda o seu resultado, com estimativa de custo e parcelamento. A consulta é opcional, e a triagem não tem custo.

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